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Teatro do Rato. De 1880 a 1906. (Fernando Brito)

  • Foto do escritor: Anibal Santos
    Anibal Santos
  • 4 de out. de 2020
  • 2 min de leitura

Publicado no boletim da ex-Junta de Freguesia de S. Mamede, edição 1, de junho de 2008.

Texto: Fernando Brito


“Surgiu com aleluia a nova casa de espectáculos do Rato, bonita, decente, com uns ares de elegância despretensiosa, salão de sofás estofados, ouvreuses para abrir os camarotes e obsequiar as senhoras, boa iluminação dando relevo às alegres decorações, mais de 500 espectadores e razoável orquestra”. Era assim que o Diário de Notícias, de 28 de Março de 1880, descrevia o Novo Teatro das Variedades, inaugurado no dia anterior.

O popular Teatro do Rato esteve situado na antiga quinta do Ferreira, terreno que pertencera à Fábrica das Sedas, pertencente então ao marquês de Palavicini, e tinha entrada no Largo do Rato pelo portão que sobreviveu ao tempo. No espectáculo inaugural foram apresentadas a comédia em um acto de Costa Braga, O Crime do Benformoso, e a peça sacra de António Mendes Leal Martírio e Glória de Torquato-o-Santo.

Não foi fácil a vida deste teatro. Logo em 1881, encerrou por alguns meses; reabriu com a companhia organizada por Salvador Marques, da qual faziam parte Adelina Abranches e o Cardoso do Ginásio, com a peça Zé Povinho, de António Menezes. Outra peça ali representada, muito ao gosto moralista da época, foi a comédia-drama, em 3 actos, A Riqueza do Trabalho, da autoria de Júlio Rocha, “oferecida à classe operária”, conforme noticiava o Diário de Notícias de 21 de Setembro de 1881.

Os preços da plateia variavam entre 300 réis e 100 réis, os camarotes de 1.ª ordem entre 1$500 e 1$200 e as frisas de 1$200 a 1$000 réis. Um preçário mais acessível do que o praticado nos burgueses e circunspectos São Carlos e Trindade.

Mas mais do que o preço dos bilhetes, a par do exclusivismo social, foi o tipo de repertório que de facto modelou o auditório popular do pequeno Teatro do Rato.

Exibiram-se ali Palmira Bastos, Sofia Santos e debutou Filomena Calado, actrizes célebres no seu tempo. O popular e modesto teatro foi durante a sua curta e atribulada existência o primeiro degrau de alguns estrelatos mais fulgurantes ou o derradeiro tablado dos actores mais desafortunados.

Em 1906, quando o Teatro era dirigido, há cinco anos, pelo actor Santos Júnior, um grande incêndio devorou a sala de espectáculos. As chamas destruíram também a barraca do Bazar-Tourada, que na altura estava armada junto do teatro, a exemplo de outros barraqueiros de feira, dadas ao espectáculo e aos comes e bebes, associadas à extinta Feira das Amoreiras, que animou a zona até finais de Oitocentos. Quando desapareceu o Teatro do Rato, alvorecia um novo divertimento: o animatógrafo, que há quem diga que também se mostrou ali, mas com mais certeza foi acolhido numa outra sala, o Teatro Joaquim de Almeida, que se situou no troço do largo demolido para abrir a Av. Álvares Cabral, desaparecido por sua vez em 1925.

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